CAPÍTULO I
O início
Era 1883, numa província brasileira desconhecida, Emanuela passeava por um campo de plantações de estatura mediana, o que relembrava ser trigo, aveia, algo assim... no processo de maturação para colheita.
Ela caminhava deslizando suas mãos pela plantação, com olhar triste e distante. Seu pensamento era sobre tirar sua própria vida, pois seu amor não era correspondido, e não via futuro ao lado dos outros rapazotes do vilarejo. Mocinha jovem, despreparada, perdeu sua mãe aos 5 anos, e nenhuma amiga com quem pudesse compartilhar suas dores e dissabores. Seu pai era homem de negócios, sempre muito ausente, sua criação foi amparada pela avó paterna e pelas escravas da fazenda.
Sentada em sua escrivaninha, Emanuela escreve sua carta de despedida e o motivo pelo qual estaria prestes a cometer o pior erro contra si mesma. No fim da tarde, segue para um dos galpões da fazenda e, com um abridor de cartas em uma das mãos, dá fim ao seu futuro.
Rio Grande do Sul, 1915. Brígida e sua irmã, Carmem, descendentes de família alemã, vão a casa de seus futuros esposos, os irmãos gêmeos Dantas, de nomes Clayton e Pedro. Seguiriam todos juntos, numa carroça colonial, para o baile de domingo. Com suas roupas características de CTG, cabelos longos e dourados como o trigo maduro, os casais bailaram durante toda a tarde pelos salões. Brígida, ao se dar falta de seu noivo, Clayton, depois de ficar mais que 30 minutos sentada, sozinha, aguardando-o, decide procurá-lo do lado de fora do salão, ao que se depara com o belo rapaz aos beijos românticos com uma das moças da província. Entristecida com a cena, Brígida corre de volta pra casa, sozinha pelo medonho caminho deserto, tropeça e cai na estrada de terra, sujando seu belo vestido e suas delicadas mãos. Com lágrimas caindo pelo seu resto, olha para os céus e faz uma jura de coração:
- Se este homem foi enviado para me ajudar na missão de compor uma família, eu não mais o quero! Nem nesta vida e nem na próxima! Que o seu coração busque por mim, atormentado do mesmo amor e tristeza em que me encontro hoje neste chão imundo. Mas, minha alma o reconhecerá e o repudiará, como forma de punição pelo que tem me feito nesta vida e, com certeza, nas anteriores.
Brígida falou com sua família que acatou seu pedido, seguiu para o Convento da Capital e lá permaneceu durante toda sua vida.
CAPÍTULO II
O pedido realizado


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